“Ouço falar de reabilitação desde 1993” – Entrevista Idealista.pt

“Ouço falar de reabilitação desde 1993”

Massimo Forte é um italiano de Milão que se apaixonou por Lisboa desde que chegou à capital. Desde 1993 que está ligado ao setor imobiliário, nomeadamente à mediação, que é outra das suas paixões – recentemente lançou a 3ª edição do seu livro “Angariar Para Vender”, sobre o tema. Em entrevista ao idealista/news, Massimo diz que tem como objetivo “ajudar mediadores, angariadores e profissionais da mediação na sua atividade” e não tem dúvidas de que esta “está a ser melhor feita agora”. “Estou cá há muitos anos e consigo perceber isso”, conta.

Como “entrou” no setor imobiliário? Foi em 1993. Estava na faculdade a tirar gestão de empresas e precisava de ter autonomia financeira, então interrompi os estudos e dediquei-me a outra atividade. Vi um anúncio no jornal para vendedor imobiliário e candidatei-me. Comecei a trabalhar no dia seguinte. A mediadora que ainda existe, é a Haviti. Quando sai, em 2000, tinha cerca de 15 lojas na Grande Lisboa. Mas fui à procura de outros estímulos.

Que foram… Passei por um projeto muito giro no Chiado durante quatro anos, a Toteser, depois estive numa empresa espanhola três anos, a Expofinques. Em 2007 passo de gerir a área comercial e começo na formação e coaching. Entro na rede RE/MAX como consultor externo, para incutir o plano de Customer Relationship Management (CRM). Foi um ano muito bom enquanto formador, de grande experiência. Fiquei na rede RE/MAX até meados de 2009, ano em que entrei na Century 21 como Diretor de Operações e Formação, empresa com quem trabalhei até ao final de 2012, quando comecei a minha carreira a solo.

Em que consiste essa carreira a solo? Tenho um propósito. Ajudar mediadores, angariadores, profissionais da mediação imobiliária. Sou procurado por bancos, fundos de investimento e até empresas de outras áreas, mas sou especialista na mediação imobiliária, porque acredito na especialização e não na generalização. O que faço é formação, coaching (ligado à mediação imobiliária), consultoria, palestras, motivação… A mediação como a vejo tem uma ligação direta com a atitude de ser empreendedor e empresário. Quando sou contratado para formações ou palestras fora do âmbito da mediação aviso sempre que essa não é a minha área e que posso é fazer a analogia ao que é a mediação. Já fui desafiado, por exemplo, a dar uma palestra para uma empresa de novas tecnologias, e uma aula a crianças de oito anos sobre tubarões [risos]… Sair da caixa também é importante.

Diz-se que Portugal e Lisboa estão na moda e fala-se muito em reabilitação, fundos imobiliários, etc. O que pensa sobre estes temas? Conheço bem Lisboa, conheço muita gente ligada ao ramo, tenho uma sensibilidade diferente porque trabalho no setor há mais de 20 anos, mas sou muito cauteloso com essa afirmação. Será que Lisboa está mesmo na moda? É evidente que está melhor, que a Avenida da Liberdade está em alta, mas chegar ao ponto de dizer que está na moda face a outras capitais no mundo… Coloco algumas aspas… Não quero estragar o sonho de ninguém, existe potencial, mas há que ser realista e avaliar bem os números.

Mas está mais viva? Sem dúvida. Falo muito com pessoas do Brasil, Angola, Moçambique e também europeus e quando se compara o estilo de vida ou o preço do m2 percebe-se que Lisboa tem muitas coisas interessantes. A segurança, o custo de vida… Vive-se bem em Lisboa, até porque a cidade é muito pequena quando comparada com outras capitais europeias. Mas ainda há muito para fazer.

Como por exemplo? Desde que estou no ramo imobiliário, desde 1993, que ouço falar de reabilitação. E temos ainda o problema das rendas, que é crítico.

O que é preciso fazer para dinamizar o mercado de arrendamento? Ainda há muita gente com rendas antigas. Em Itália e Espanha também foram precisos muitos anos para que houvesse um mercado de arrendamento aparentemente normal. Portugal está e vai passar por isso. As rendas foram um bloqueio à reabilitação durante anos.

A promoção do mercado de arrendamento e a importância de trazer jovens para a cidade são temas muito abordados, mas os bancos estão agora novamente a emprestar dinheiro para a compra de casa… Os países latinos, Itália, Espanha, Portugal, etc., todos os que tiveram influência romana, têm o sentimento de posse enraizado. A questão de se ter alguma coisa nossa, independentemente de se ter de pagar ao banco, está enraizada. Aliás, compramos para deixar aos filhos. As pessoas que habitualmente compravam casa e deixaram de o fazer não foi porque não quiseram, mas porque não havia financiamento. Por isso viram-se forçadas a arrendar.

O que é melhor: comprar ou arrendar? Quando se pensa em comprar, está a fazer-se um investimento, por isso existe um risco. Tem de se ter essa consciência. O arrendamento não tem nada a ver com investimento, é utilização. Uma coisa é certa: o imobiliário no médio/longo prazo é sempre um bom investimento.

Continua a ser? Sim, sobretudo para quem compra em localizações prime, e quando digo prime não é só a zona prime de Lisboa. O importante é comprar com ótima localização. Esse é um ponto critico de sucesso.

Como será a mediação imobiliária nos próximos anos? Não tenho uma bola de cristal, mas posso arriscar: está cada vez mais profissional e respeitada. Há profissionais com 15, 20 anos de experiência a operar na mesma zona e a serem bem-sucedidos. Temos hoje tudo para que o agente imobiliário seja cada vez melhor. Os profissionais da mediação são os que mesmo com crises vendem mais e são os mais procurados. Acho que vamos ter a especialização e que a palavra mediação vai começar a desaparecer. Este negócio é de pessoas para pessoas, por isso preciso compreender e entender a pessoa com quem estou a falar, e a querer fazer um eventual negócio. Certo é que a mediação está a ser mais bem-feita agora. Estou cá há muitos anos e percebo isso.

Artigo publicado no idealista.pt

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