Um refúgio à beira mar plantado.

Todos os dias leio notícias, research, análises de diversos mercados imobiliários europeus, todos eles em plena recuperação, uns até próximos de máximos e com receios de novas bolhas imobiliárias.

Inglaterra, Alemanha, Portugal, Irlanda, Estónia, até Espanha… o mercado atingiu o bottom-line, está em franca recuperação, as compras e investimentos sucedem-se, as transacções aumentam e alimentam a esperança que o pior já lá vai.

Tanto a OCDE, como mais recentemente o BCE, apontam Portugal como um mercado imobiliário subvalorizado e com potencial de subida.

Em Portugal, e segundo estimativas recentes da APEMIP, espera-se um crescimento de mais de 30% no número de transacções de casas em 2014, com britânicos, chineses e franceses a investir em força. Este investimento estrangeiro no sector residencial, poderá registar valores na ordem dos € 2 mil milhões. Apesar de tudo, o investimento em imobiliário comercial mantém níveis reduzidos, com apenas € 28 milhões colocados no mercado, totalmente por estrangeiros, segundo a JLL. A este valor, devemos somar a recente transacção da actual sede da EDP, no Marquês de Pombal, chegando perto dos € 100 milhões transaccionados no 1º semestre deste ano. Adicionalmente, temos a recente notícia da venda de distressed assets em Portugal por parte do Commerzbank, “permitindo” a entrada de novos players em Portugal

Em Espanha, os grandes investidores institucionais voltam ao mercado: Baupost, Goldman Sachs, Paulson, Soros… private equities, hedge funds, bancos internacionais apontam setas ao mercado imobiliário espanhol, crentes que a valorização será elevada e interessante.

Muitos perguntarão: mas onde estava todo este dinheiro? Nos últimos anos, em que não houve transacções, não houve investimentos, não houve dinheiro a entrar no País, onde andavam todos estes investidores?

Como há muito venho a dizer, o mercado é global e os investidores imobiliários também eles se tornaram globais. Investir no Brasil, na China ou em Portugal é possível e acessível à maior parte deles.

Na verdade, a transferência de capitais para a Europa, por parte de investidores institucionais, não se faz tanto pelos fundamentais deste Continente e pelas excelentes oportunidades de investimento. Antes, julgo haver um grande receio, da parte destes investidores, relativamente aos principais mercados emergentes. Muitos brasileiros, por exemplo, andam a comprar casas em Miami como forma de retirar capitais do seu País e colocá-los num local mais seguro. Além disso, as acções levadas a cabo tanto pela FED, como pelo BCE, permitiram uma acentuada queda das yields das dívidas soberanas, aumentando assim o spread face a outros investimentos, principalmente os de taxa fixa (como é o caso do commercial real estate).

O imobiliário tem muito disto: segurança. É visto como um activo de refúgio, com menor volatilidade e uma boa forma de proteger o capital. E Portugal é um País que junta a segurança do imobiliário à segurança das pessoas e dos capitais. Misture-se algum benefício fiscal e temos um prato feito à medida!

Bons negócios (imobiliários)!

Autor: Gonçalo Nascimento Rodrigues

Artigo publicado pelo Out-of-the-box

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