ONDE FICAM A COMUNICAÇÃO E O MARKETING EM TEMPOS DE COVID-19?

  • Onde ficam a comunicação e o marketing em tempos de Covid-19?

A comunicação e o marketing deverão estar mais do que nunca presentes de forma relevante e humana para dar apoio, esperança e criar empatia com a comunidade neste momento difícil e único. Especificamente para a Mediação Imobiliária, a estratégia será a de adaptar formatos de ações, ferramentas e formas de trabalhar que possam ajudar a captar leads e promover produto de forma segura criando acima de tudo confiança no processo para ir ao encontro das necessidades e preocupações atuais de quem compra e quem vende.

 

  • O marketing e comunicação devem ser um custo a cortar ou um investimento a manter/reforçar no setor imobiliário?

Não se pode baixar os braços, é tempo de arregaçar as mangas e por isso é importantíssimo reforçar o investimento. O cliente neste momento está mais atento que nunca, as mudanças são sempre oportunidades muito interessantes para diferenciação ao nível do posicionamento e do reforço de imagem de marca. Será necessário analisar bem a forma, a relevância, a mensagem, o tipo de meios a utilizar. Para a Mediação, claramente terá de haver uma grande aposta no online no imediato, mas atenção à preparação da estratégia de futuro para o offline, começa a fazer sentido o planeamento para o recomeço da atividade assim que possível.

 

  • Em termos de gestão, que ajustamentos se devem fazer num contexto de menos receitas e capacidade das empresas de suportar gastos?

Em primeiro lugar será importante referir que esse ajustamento vai depender de empresa para empresa, sendo alvo de uma análise cuidadosa e individual. Eu diria o aproveitamento das moratórias e eventuais apoios do Estado, fundamental, tendo em conta a situação. Verificar bem todos os custos das denominadas atividades de apoio à mediação, deverão ser revistos e até um certo ponto redimensionados.

 

  • As anteriores estratégias do pré-covid continuam a valer?

Claramente e após mais de um mês de isolamento, as estratégias e técnicas deverão mudar e adaptar-se à situação. Como sempre, na venda imobiliária há dois pontos estratégicos a rever: preço e plano de marketing do imóvel.

 

  • O marketing e a comunicação são uma arma para ajudar ao negócio?

São ferramentas essenciais em qualquer que seja o ciclo do mercado, contudo vivem de saber adaptar para diferentes tipos de pessoas / segmentos e de informação que se for escassa ou incorreta não poderá tornar o marketing e a comunicação relevantes e de interesse genuíno, comunicar sem nada para dizer, para dar, é um investimento muito caro e com poucos resultados.

 

  • Como se devem posicionar as marcas no atual contexto? Com que mensagens? Em que suportes? Será uma mudança para o futuro?

Antes de mais, devem estar próximas, os suportes mais relevantes neste momento são no formato digital no on-line, nas redes sociais com campanhas altamente segmentadas, apoiadas por um bom CRM, a televisão ganhou também uma grande relevância. O posicionamento do Agente será o de profissional expert, não no imobiliário, mas mais do que isso, na zona em que exerce a sua atividade numa perspetiva clara de ajudar a sua comunidade em tudo o que for necessário. A mudança, se assim se pode chamar, é claramente da transação ao serviço, o Agente Imobiliário só vai permanecer no futuro e com as mesmas condições de hoje se aportar valor, caso contrário, vai tendencialmente desaparecer. Esta oportunidade é única pois as pessoas, vendedores e compradores vão mais do que nunca precisar do serviço de um profissional da Mediação Imobiliária, mas obviamente o serviço tem de ser de confiança, reconhecido e diferenciador para ser valorizado.

 

  • Que cuidados se devem ter atualmente e quais os riscos a evitar?

Cuidados acima de tudo com a segurança física, espero que o governo, tal como os seus congeneres Italiano e Espanhol decretem um protocolo de segurança e que o mesmo seja abrangido pela profissão do Agente Imobiliário. Até lá, poderemos seguir as indicações das instituições reguladoras e o exemplo e boas práticas destes dois países, mesmo que não estejam a ser aplicados formalmente em Portugal.

 

  • Como se pode construir uma base estável de clientes através de publicidade que promova lealdade à marca?

Estamos na era no marketing de conteúdo, as empresas deverão adotar um plano consistente de entrega de informação relevante para a sua comunidade de forma segmentada. As bases de dados, mas principalmente o tratamento das mesmas é a chave para se conseguir relevância, proximidade e por conseguinte, lealdade à marca ou à marca pessoal como a do Agente Imobiliário.

 

  • Como podem as empresas criar uma ligação com a forma como as pessoas estão a sentir-se e a experienciar o Covid-19?

Têm de ser genuínas, mostrar como se estão a sentir, como estão a reagir, mostrar que estão disponíveis para ajudar a sua comunidade, mostrar soluções concretas com iniciativas específicas adaptadas a este momento e aos momentos futuros que vão surgir. Especificamente, o Agente Imobiliário tem de saber colocar-se no lugar de cliente vendedor e também comprador, perceber que receios terão, que dificuldades estão a passar e porque não, que oportunidades estão e vão surgir para dar respostas que mostrem como o podem ajudar.

 

  • Que tipo de campanhas se podem e devem desenvolver no período de confinamento? E que tecnologias se podem usar?

O contacto direto, seja via telefone ou vídeo é essencial para manter ações de prospeção de leads e acompanhamento carteira de clientes, para quem soube trabalhar a qualificação e para quem fez a boa gestão e alimentação de dados no seu CRM, as campanhas de marketing direto digital serão interessantes para explorar a mensagem que se quer passar. A mensagem deve ser trabalhada por grupos de clientes para agregar informação relevante para cada um deles, informação sobre mercado, hábitos da sua zona, notícias da comunidade, iniciativas, experiências de membros da comunidade etc. Quanto à tecnologia que pode apoiar hoje e complementar no futuro, softwares como mailchimp, zoom, Skype ajudam a manter o contacto e ferramentas como imagens 360, drones, óculos de 3D e realidade virtual, podem apoiar visitas virtuais facilitando diferenciando o processo de escolha e decisão.

 

  • Qual a importância do big data atualmente para o marketing e comunicação?

É de importância extrema conseguir obter e dar dados fidedignos e filtrados para apoio à decisão.

 

 

Artigo de autoria de Massimo Forte publicado no portal  Idealista/News in https://www.idealista.pt/news/especiais/covid-19/2020/04/27/43180-marketing-e-comunicacao-no-imobiliario-em-tempos-de-covid-as-novas-maximas

Photo by Danielle Macinnes on unsplash