Sustentabilidade, a minha visão sobre o que pode significar para a Mediação Imobiliária por Andreia Andrés Forte

Sustentabilidade, uma palavra que todos os dias e das mais variadas formas entra no nosso ecrã, no nosso ouvido e na nossa consciência, começando a surtir o efeito desejado de despertar a urgência de pensarmos nesta tendência como uma realidade que vai chegar rápido e vem para ficar.

Por ter esta consciência, e por saber a importância que este tema representa para a minha recente e ainda tímida atividade de ajudar marcas de Mediação Imobiliária a avaliar o seu propósito, a sua estratégia e a sua comunicação, inscrevi-me no novo curso da NAR que está disponível em Portugal através da UCI, para perceber em que consiste a sua certificação Green. O que me irá oferecer? Os conteúdos vão ajudar-me a melhor cumprir a minha missão?

Depois dos 3 dias de curso online e depois de ouvir vários especialistas e players do imobiliário, descobri que foi uma escolha certa para iniciar o meu percurso de entendimento sobre o que pode realmente significar esta tendência para a Mediação Imobiliária.

Uma das conclusões a que cheguei, é que é realmente necessário começar a pensar de forma séria e estratégica sobre os impactos e as adaptações necessárias que a Mediação tem de implementar e agilizar para ir ao encontro dos desejos e necessidades de clientes que (já hoje) procuram características e benefícios de eficiência, conforto e saúde, mas que principalmente procuram a garantia de que estão a consumir de uma forma mais responsável.

Os clientes do futuro próximo (e alguns atuais) querem fazer a sua parte, querem contribuir para a redução de emissões, de gastos energéticos e de desperdício através de soluções duradoras, que não só melhorem a eficiência energética e o conforto das suas casas, mas que também sejam conscientes, recicláveis ou até modulares para conseguirem acompanhar as suas mudanças e os seus estilos de vida.

 

Quem poderão ser os clientes mais atentos à sustentabilidade?

Os millennials são a geração do maior grupo demográfico do mundo e este ano fazem 30 anos, o que pode significar que tenderão a atingir o pico de compra de casa em 2023.

O Agente Imobiliário vai ter de lidar com um potencial cliente que está mais informado sobre as escolhas a que pode ter acesso, e mais desperto para o compromisso da sustentabilidade, porque percebe a importância das suas escolhas para mitigar os seus impactos para gerações futuras.

O Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis é um resultado prático desta tendência cada vez mais emergente, entrou recentemente na sua segunda fase. Enquadra-se no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que reconhece a necessidade de uma maior aposta na eficiência energética dos edifícios por considerar este tema, como uma prioridade para a recuperação económica, alinhada com a transição climática, prioridade esta que vai de encontro aos objetivos do Pacto Ecológico Europeu. O programa não é perfeito, pois hoje há ainda um peso muito grande do lado de quem tem de investir em construção ou renovação eficiente, mas é um começo para despertar para a procura de soluções que realmente valorizem a nossa casa e claro, o nosso planeta.

 

E concretamente, no que se pode traduzir esta tendência para a Mediação?

De forma muito pragmática, a mediação é o canal que está mais próximo do cliente, comunica com ele todos os dias e por isso está numa posição crucial para se tornar uma das parte mais ativas neste processo de mudança de mentalidades.

Para a Mediação, implica saber informar, sensibilizar e influenciar para a importância da eficiência, não só do ponto de vista da descarbonização do parque habitacional, mas também para a importância da adaptação para casas mais eficientes, mais confortáveis e mais saudáveis que no futuro próximo, serão fator de diferenciação e muito importante, de valorização.

Na minha opinião, o Agente Imobiliário tem de conhecer as soluções e os benefícios que uma construção nova ou renovada de forma eficiente oferece, para saber como comunicar e principalmente, para saber demonstrar ao seu cliente a sustentabilidade do seu investimento (poupança de consumo, fatura de energia mais reduzida, habitação mais valorizada). Muito importante, tem de saber influenciar para o impacto positivo da sua escolha (contribui para a solução, não prolonga o problema de consumo de recursos escassos).

Os números “falam” de forma concreta e para avaliar a importância e o impacto desta tendência de procura por um futuro mais verde, em março de 2021, a NAR efetuou um inquérito para perceber (na prática) o que pode significar o termo sustentabilidade para a Mediação Imobiliária. O inquérito resultou no seu relatório “REALTORS® & Sustainability Report – Residential, do qual destaco os seguintes factos:

  • 36% dos inquiridos afirmam que o seu MLS contém campos de dados associados a sustentabilidade e eficiência das habitações para evidenciar características que potenciam e diferenciam a sua promoção;
  • 65% concorda que a promoção destes dados é importante, ou muito importante;
  • 55% afirma que os seus clientes demonstraram interesse nos dados fornecidos de caracterização de uma habitação mais sustentável.

 

Estas evidências são claras, o consumidor, no geral, reconhece a importância da sustentabilidade, mas muitas vezes não consegue materializar os benefícios e não sabe como chegar lá.

 

Quais podem ser os próximos passos?

Há milhares de soluções de melhoria que podem ser usadas em construção nova ou renovação para alterar drasticamente o consumo energético, a durabilidade de materiais, o conforto e a saúde de quem habita. O objetivo é transformar uma casa numa habitação consciente, sustentável e acima de tudo, eficiente.

Desde materiais verdes recicláveis, eficientes e modulares, a sistemas de isolamento térmico e acústico de paredes e coberturas, de caixilharias, de sistemas de captação de energia, de ventilação, de controle de temperatura, controle de iluminação e controle de consumos e até, de aproveitamento de águas, a escolha é imensa e até diria que é complicada.

O excesso de informação técnica e a comunicação pouco adaptada ao que o consumidor comum procura (benefícios), não ajuda a distinguir qual será a melhor escolha para o seu estilo de vida.

A certificação energética é o instrumento de excelência conhecido por todos para comprovar a eficiência de cada habitação. Para o vendedor, pode servir para uma tomada de consciência de adaptação de preço ou de características da sua casa (dependendo dos comparáveis ou oferta existente). Para o comprador, pode ser uma forma de avaliar a sua futura casa, pois permite obter pistas importantes sobre o estado de conservação do imóvel e futuros consumos energéticos que tem de ter em conta para minimizar o risco de uma má escolha.

A meu ver, a Mediação deve em primeiro lugar começar a formar-se sobre este tema, destaco a certificação Green da NAR já disponível em Portugal através da UCI, e em segundo lugar, pode começar a criar uma rede de parceiros, não só ligados à área de materiais e soluções tecnológicas, mas a serviços que possam dar-lhe mais know how ou até apoio em forma de serviço de consultoria para se tornarem em Agentes Imobiliários especializados que farão parte do processo de mudança. Estarão capacitados para identificar, classificar e valorizar características. Mas principalmente, para comunicar corretamente com o seu cliente porque sabem traduzir tudo isto em vantagens e benefícios para o seu dia-a-dia.

Valorizam sem dúvida o seu serviço. Diferenciam-se, têm uma oportunidade de captação de leads que procuraram quem os saiba guiar sobre sustentabilidade, quem lhes saiba responder concretamente sobre o potencial valor do seu imóvel neste mercado, ou até quem lhes dê a solução através de protocolos e parcerias que os ajudem a transformar o seu imóvel, numa escolha mais consciente, mais eficiente e por isso, mais apetecível.

Nada disto faz sentido sem primeiro resolver a primeira parte do processo de procura que hoje está centrada no online nos sites de cada marca ou nos portais imobiliários.

Que critérios é que eu como consumidor que procura uma casa eficiente tenho para poder filtrar a minha escolha? Que destaque se dá a estes imóveis? Que informação se passa sobre as suas características?

A criação de mais critérios universais que possam definir e destacar uma escolha eficiente é primordial para a valorizar, e tenho de dizer, a matéria-prima são as pessoas e as pessoas procuram saber mais sobre vantagens, benefícios e ações a levar a cabo, e não apenas e só, sobre características.