APLIQUE A TECNOLOGIA AO SEU NEGÓCIO JÁ E NO FUTURO

 

A tecnologia está a avançar a uma velocidade vertiginosa e muitas vezes silenciosa, não nos apercebemos da forma como se imiscui no nosso negócio obrigando-o a mudar e pior, não nos damos conta de que se não nos adaptarmos o negócio pode tornar-se obsoleto.

De facto, quem sobrevive nem sempre é o mais forte, o maior ou mesmo o mais inteligente, quem sobrevive é quem tem a maior capacidade de adaptação e a meu ver a mediação imobiliária não foge à regra, por isso, é importante perceber onde este mercado está a mudar (ou já mudou) e o que será necessário fazer para se adaptar.

 

  1. Fazer a mesma prospeção de forma diferente

Como sabem o negócio começa com a atividade de prospeção, ou se preferirem, com a geração de leads. Hoje a prospeção pode ser feita de várias formas, através de vários canais e de inúmeras fontes, a reter que a par da promoção online, deve ser também feita a promoção offline para equilibrar uma estratégia abrangente, mas que consegue abranger um mercado muito local de forma adaptada. As redes sociais são hoje uma excelente ajuda para potenciar a sua marca pessoal como Agente Imobiliário Especialista, no entanto tem de saber como usá-las para produzir e partilhar conteúdo relevante para os seus vários públicos sempre de uma forma adaptada e consistente para que este canal consiga suportar a sua promoção offline. Os portais são outro canal online que continuam a ser uma forma interessante de promoção dos seus imóveis, de facto geram leads, mas cada vez mais de menor qualidade face às redes sociais que se caracterizam por uma maior proximidade de diálogo. Por exemplo, a criação de um blog alavancado pelas redes sociais e por tecnologia baseada em AI ou Inteligência Artificial, permite a substituição do CRM tradicional pelo CRM social CRM, podemos ter um diálogo de qualificação inicial com recurso a bots[1] que utilizam a linguagem natural para fazer o apoio e follow up de leads de forma automática e sem intervenção humana através de canais de contacto como por exemplo o seu site, o messenger ou mesmo o whatsapp, afinal, um bom CRM deve ter uma boa gestão de contactos e não de imóveis.

 

  1. Simplificar a qualificação

Com recurso a tecnologia de Inteligência Artificial que permite que a máquina desenvolva um diálogo fluído com um humano, a primeira fase de qualificação tende a ser cada vez mais automatizada e facilitada. Uma tecnologia que não é ainda aplicada de forma massiva em Portugal devido ao elevado custo de desenvolvimento, será no futuro uma forma natural de dialogar com as marcas que se farão representar através de um bot sempre disponível que procurará adaptar-se na resposta a todas as questões gerando engagement comandado pelo seu algoritmo. Hoje um bot é já capaz de fazer várias perguntas ao seu lead sem falhar num diálogo fluído de feedback constante e em tempo real, tendo como objetivo entender de forma eficiente, se o lead é de facto um potencial cliente (ou não), para decidir guiá-lo (ou não) para um Agente Imobiliário da Agência para que este possa prosseguir uma qualificação mais específica. Definitivamente já não estamos a falar de futurologia, esta tecnologia vai entrar no mercado português em breve, seja para clientes vendedores, como para clientes compradores, devemos encarar esta evolução com naturalidade e como forma de simplificar e poupar muito tempo ao Agente Imobiliário para que este se possa centrar na relação com clientes verdadeiramente potenciais.

 

  1. O valor de saber o valor do imóvel

Qual o valor certo para o meu imóvel? A pergunta mais típica feita ao Agente Imobiliário pela incerteza do valor, seja para quem vende, como para quem compra. Os estudos de mercado são feitos pela obtenção da informação no terreno, cruzando informação existente na internet, demora tempo e por vezes é incerta porque na maior parte dos casos os portais não se preocupam em separar o trigo do joio, ou seja, o excesso de informação de imóveis duplicados ou de imóveis que já estão fora do mercado é tão elevado que acaba por influenciar os resultados do estudo. Felizmente existe já tecnologia que permite avaliar e filtrar em tempo real e com exatidão impressionante a informação fidedigna sobre o real valor de promoção online, a Casafari é uma empresa que se dedica totalmente a esta área e consegue ser uma importante tecnologia de apoio ao negócio do Mediador Imobiliário, usa o seu algoritmo baseado em inteligência artificial para em 3 segundos dar um report completo de número de imóveis disponíveis na zona, de que tipologia, por que preço, à quanto tempo estão no mercado e que alterações de preço sofreram, imaginem quantas horas ou mesmo dias esta informação poupa ao Agente Imobiliário e mais, imaginem a confiança que este pode ter na informação que fornece poupando tempo ao seu cliente e a si mesmo. Sem dúvida o Trivago do mercado imobiliário que hoje se torna essencial para qualquer profissional do setor.

 

  1. Um Plano de Marketing interativo

A maior parte das ações para promover um imóvel são ainda concentradas no offline, no on-line e para além da comunicação do imóvel em portais ou site da marca, será que se pode criar uma maior interatividade com o potencial cliente? Claro que sim, mais uma vez a tecnologia ao serviço do setor permite que através de, por exemplo, realidade aumentada seja já hoje possível fazer uma visita ou mesmo home staging virtual e com uma enorme vantagem, para além de ser online sem intervenção humana, o que mais uma vez reforço, poupa tempo ao Agente Imobiliário para que este se concentre no essencial do negócio, que é o reforço da relação numa fase mais avançada do negócio que necessita de maior envolvimento entre partes, permite também que o Agente crie (em parceria com os fornecedores da tecnologia) a casa perfeita para vários tipos de clientes e em função do que este ache que poderia ser o ideal para o seu mercado, ou então, pode até deixar que seja o próprio cliente a divertir-se colocando a casa ao seu gosto entre decoração e obras. A tecnologia utilizada recorre ao gaming que permite que o cliente interaja com a tecnologia criando desta forma um maior envolvimento de uma forma divertida e baseada em superação de objetivos.

 

  1. Visitas a qualquer hora e em qualquer lugar

Uma realidade impossível para uma visita física, mas uma possibilidade bem real para uma visita virtual. Já passamos a era das visitas virtuais que não davam uma perceção de como era de facto a casa, por vezes até induziam em erro o próprio cliente comprador o que levou a que esta tenha sido uma solução muitas vezes criticada. Felizmente a tecnologia evoluiu (e muito) e hoje as visitas já não são só virtuais, são interativas e experienciais recorrendo a tecnologia de realidade aumentada que permite ao cliente ter a nítida sensação de estar dentro da casa, sentindo o espaço, o cheiro, os sons. Alguns edifícios de construção nova já dispõem desta tecnologia para o cliente que se desloca ao local poder ver o seu imóvel concluído, mesmo que este ainda esteja em obra, mais uma vez, pode definir o imóvel ao seu gosto personalizando espaços, acabamentos, áreas entre outros. Mesmo as famosas Open House podem hoje fazer-se online sem que o cliente se desloque de sua casa, basta que o cliente tenha o equipamento (óculos de realidade aumentada) para comodamente ver o imóvel sem compromisso, a qualquer hora e em qualquer lugar, desta forma, uma segunda visita será sempre um visita presencial com muitas mais certezas, mais uma vez, o Agente Imobiliário pode ver o seu trabalho facilitado numa fase inicial.

 

  1. Fecho, partilhas e colaborações disponíveis para todos

Cada vez mais a tecnologia vai dotar o mercado de maior transparência, todos os players e inclusive o cliente, vão poder saber quais os imóveis que existem de facto no mercado para venda, a que valores e quais são as empresas que os estão a promover, assim sendo, os contratos em exclusivo terão tendência a aumentar e consequentemente a capacidade de colaboração entre as empresas também. Mas como será feita a partilha no futuro? Possivelmente os princípios básicos que são hoje ainda válidos, mas já muito antigos utilizados por programas de MLS’s estanques, vão dar origem a APP’s mais dinâmicas baseadas em ferramentas como whattsapp, onde o Agente poderá gerir os seus parceiros e criar mini MLS’s em função da confiança estabelecida com estes e mesmo com base em eventuais regras que definam a partilha, aliás posso dizer que esta prática de criação de grupos de interesses em redes sociais é já muito comum entre os profissionais de Mediação Imobiliária, tanto entre parceiros, como com grupos de potenciais compradores qualificados e segmentados onde a informação é dada de forma dedicada, direcionada e direta de forma privilegiada e exclusiva, e mais uma vez, em tempo real.

 

  1. Da agência física para a agência virtual

Uma das proptech que mais cresceu no último ano nos Estados Unidos foi a EXPrealty que dispõe de uma agência que recorre à tecnologia da realidade aumentada para permitir ao cliente entrar e tal como um jogo de playstation, usufruir dos serviços disponibilizados passeando e descobrindo os vários departamentos, proporciona não só uma pesquisa mais divertida, mas sobretudo, mais cómoda e rápida.

Todas estas mudanças, e outras tantas que irão acontecer nos próximos anos, não serão na minha opinião um risco para os bons profissionais, serão sem dúvida uma mais valia clara. Quem não se adaptar e não começar a integrar, usar e disponibilizar a tecnologia no dia a dia do seu negócio, verá os resultados baixar de ano para ano podendo até desaparecer. Mais uma vez, na minha opinião, para manter um negócio de mediação imobiliária no futuro (e o futuro é hoje), terá de saber conhecer e adaptar-se a todas as novas tecnologias válidas e relevantes que irão aparecer e que poderão  elevar o serviço facilitando a vida ao seu cliente e a si, pois no final, o mais importante é mesmo conseguir ter tempo para se concentrar no essencial que são as pessoas, e para que isto aconteça, basta usar o seu maior trunfo, ser humano!

[1] Bots –