A importância do Google para a Mediação Imobiliária por Marco Gouveia | Google Regional Trainer @ Google e fundador da Influenza

Sabia que a penetração da internet em Portugal é já de 83%, com 8,5 milhões de utilizadores? E que 95% das pesquisas são feitas no motor de pesquisa Google? E porque é que este facto é importante quando se fala em imobiliário?

 

Ao contrário do que seria expectável, o mercado imobiliário continua em crescimento. Como reportado em outubro pelo Observador, o preço de venda das casas em Setembro de 2020 foi 7,9% superior ao mesmo período do ano passado. Aliado às baixas taxas de juro dos créditos habitação, as famílias com poder de compra continuam a poder comportar os preços dos imóveis praticados em períodos pré-pandemia. Mas, para isso, têm de as encontrar.

E como vão encontrá-las numa altura em que os pontos de contacto habituais com a imobiliária não têm permissão para funcionar?

Através do maior motor de pesquisa do mundo, pois claro. Tendo em consideração as estatísticas apresentadas acima, este contacto dar-se-á, certamente, através do Google. Penso que estaremos de acordo quanto a este ponto, não é?

A forma como se fazem negócios não vai voltar ao que era, pelo que é tempo, mais do que nunca, de finalmente criar a simbiose perfeita entre online e offline. Hoje em dia, raramente um cliente bate à porta de uma imobiliária sem, antes, ter feito uma boa pesquisa no Google sobre o imóvel que deseja.

Por isso, para profissionais que atuam neste ramo, ter as páginas do seu website na primeira página de resultados do Google ou impactar o seu público-alvo com anúncios relevantes para eles é imprescindível para a captação e retenção de clientes.

Quanto mais cedo começar a consolidar a sua presença no Digital, mais cedo chegarão os resultados. Por isso, de seguida, apresento-lhe duas estratégias para alavancar as suas vendas e dicas para as executar de forma eficiente.

 

GOOGLE ADS

Quando se trata de meios de publicidade online para o mercado imobiliário, a plataforma predileta é, sem dúvida, o Google Ads.

O Google Ads é, tal como o nome deixa transparecer, uma plataforma de publicidade da Google. Funciona num regime de pay-per-click (PPC), ou seja, o anunciante só paga quando os utilizadores clicam efetivamente no anúncio.

Os anúncios podem ser apresentados em diferentes locais na web, consoante a segmentação, o público-alvo e os tipos de anúncios criados. Podem surgir sob forma de anúncio de texto, imagem ou vídeo em websites ou apps. É o próprio anunciante que escolhe onde e como quer anunciar o seu produto, marca ou serviço.

Resumidamente, o Google Ads é uma excelente forma de atrair utilizadores qualificados para um website, impulsionando um negócio.

Permite fazer com que o seu website surja no topo dos resultados de pesquisa do Google, através de anúncios para a Rede de Pesquisa. Além disso, através de anúncios da Rede de Display, é também possível fazer remarketing com quem já mostrou, de alguma forma, interesse nos seus imóveis, porém, não converteu.

Desta forma, o seu negócio pode jogar em duas frentes em simultâneo: na vertente de awareness, atraindo novos clientes, e no fortalecimento da relação com potenciais clientes, aumentando a probabilidade de fechar vendas.

 

Posto isto, eis 3 dicas de Google Ads para imobiliárias:

1. Segmente os anúncios por localização

A partir do momento em que segmenta os seus anúncios, consegue delimitar o alcance dos mesmos, tornando-os mais eficientes. Existe um variadíssimo leque de critérios de segmentação possíveis. Neste caso, acredito que a segmentação por localização seja essencial.

Não adianta muito criar um anúncio para vender um imóvel em Lisboa e estar a anunciar para pessoas que se encontram em Faro e nunca mostraram qualquer interesse em mudar-se para Lisboa ou ter uma casa em Lisboa, não é?

Por isso, por que razão deve estar a desperdiçar o seu dinheiro em anúncios para essas pessoas? Não faça isso! Segmente para o seu público-alvo. Querer chegar a todo o lado é o caminho para não conseguir chegar a lado nenhum.

 

2. Selecione as melhores palavras-chave

O Google Ads funciona como um leilão, mas não no sentido tradicional, onde ganha sempre quem paga mais: aqui, a classificação do  anúncio é o que define o seu posicionamento e, simplificando, é calculada tendo em conta os seguintes fatores:

  • CPC máximo (valor máximo que está disposto a pagar por um clique no seu anúncio);
  • Índice de qualidade associado à palavra-chave que acionou o anúncio;
  • Impacto das extensões de anúncios e outros formatos.

 

Quanto maior for o índice de qualidade, mais baixo será o custo por clique, levando a  melhores posições para exibir o anúncio com um investimento mais reduzido.

Sempre que um utilizador efetua uma pesquisa, ocorre um “leilão” onde todas as variáveis são analisadas. Por isso, é importante que faças uma pesquisa das palavras-chave mais rentáveis para o teu negócio. O que as pessoas escrevem ao fazer uma pesquisa por imóveis?

Para descobrir, pode recorrer a ferramentas gratuitas como a Ubersuggest, por exemplo.

Como proceder?

Deve colocar keywords na ferramenta, para lhe aparecerem sugestões sobre o maior número de tópicos possível. Depois, irá igualmente aparecer-lhe o CPC (Custo Por Clique) da keyword introduzida. Se escrever “apartamentos”, vai aparecer, na parte das sugestões, tudo o que tem o prefixo “apartamentos”. Caso clique em cada uma das keywords sugeridas, a ferramenta mostra-lhe quais são as suas páginas concorrentes e o número de visitas estimadas se estivesse em primeiro lugar no Google.

 

3. Seja objetivo na descrição

Hoje em dia, o tempo de concentração das pessoas é reduzido, especialmente no ambiente online. Anúncios muito extensos geralmente apresentam um poder de conversão menor em relação aos anúncios que vão diretos ao assunto.

Apresente as características dos imóveis de forma bastante sintética, pois os utilizadores apenas “varrem” rapidamente o ecrã com os olhos e, se encontrarem demasiada poeira, saem da divisão e procuram outra mais apelativa aos seus olhos.

O objetivo é entregar ao utilizador toda a informação que ele procura, da maneira mais fácil, leve e rápida possível, sem quaisquer distrações pelo meio.

 

4. Faça Remarketing

Através de anúncios na Rede de Display, é possível fazer remarketing com quem já mostrou, de alguma forma, interesse nos seus imóveis, porém, não converteu.

Esteja atento às métricas fornecidas pela plataforma e, com base nos dados recolhidos dos utilizadores, impacte novamente com anúncios aqueles que demonstraram algum tipo de interesse no assunto.

Assim, esses utilizadores poderão ver os seus anúncios enquanto navegam pela web, mesmo que não estejam, nesse momento, a procurar ativamente por imóveis.

Continue a apresentar-lhes anúncios relevantes através destas campanhas de remarketing, de modo a não os deixar esquecer os seus imóveis.

 

5. Direcione o utilizador para uma página específica

Na altura de criar um bom anúncio no Google Ads, é importante redirecionar o utilizador para uma página que ofereça exatamente aquilo que ele procura, como uma landing page criada especialmente para isso, com o imóvel do anúncio em que ele clicou.

Pense comigo: gostaria de clicar num anúncio com uma casa que lhe interessa, parece ter as especificidades que procura e até está dentro do budget, mas, depois, ir parar a uma página que apresenta uma casa que não tem nada a ver com a que lhe despertou curiosidade? É remédio santo para o utilizador sair, voltar à página de resultados e clicar num anúncio concorrente…

Para além disto, é crucial assegurar que as páginas do seu website imobiliário têm qualidade e correspondem exatamente ao que está nos anúncios, pois isso vai interferir diretamente com a qualidade do anúncio.

Isso leva-nos à segunda estratégia que escolhi para lhe apresentar: o SEO.

 

SEO

SEO significa Search Engine Optimization, em português, otimização para os motores de pesquisa (como o Google). Para mim, é a arte de alcançar tráfego gratuito e qualificado que gere conversões.

O SEO corresponde ao conjunto de ações destinadas a melhorar a posição de uma página, ou conjunto de páginas, de um website nos resultados dos motores de pesquisa. Quanto melhor for a posição das suas páginas, mais visitantes terá, elevando a probabilidade de conseguir fechar mais vendas.

Eis algumas estatísticas sobre SEO reveladas em 2020:

  • Apenas 0,78% de quem pesquisa no Google clica nos resultados da 2ª página (Fonte: Backlinko);
  • O SEO gera 1000% mais tráfego do que posts orgânicos nas redes sociais (Fonte: BrightEdge);
  • 53,3% de todo o tráfego em websites provém de pesquisa orgânica (Fonte: BrightEdge);
  • 69,7 das perguntas pesquisadas são compostas por 4 ou mais palavras (Fonte: Ahrefs);
  • 93% do tráfego global provém de pesquisas no Google, no Google Imagens e no Google Maps (Fonte: Sparktoro).

Agora sim, é oportuno passar às dicas de SEO para melhorar o posicionamento das páginas do seu website no Google.

 

1. Ofereça uma boa experiência de navegação ao utilizador

Além de produzir conteúdo relevante para os utilizadores, deve certificar-se de que, assim que entram no seu website, vão ter uma ótima experiência de navegação.

Como? Assegurando que as suas páginas web:

  • Carregam rapidamente;
  • São funcionais em todos os dispositivos, isto é, responsivas (especialmente em dispositivos móveis);
  • São de fácil leitura;
  • Têm uma navegação intuitiva;
  • Não têm anúncios intrusivos.

O WebPageTest dá para ver qual é a velocidade das páginas nas várias partes do mundo. O ideal é que o tempo de carregamento das páginas seja de 3 segundos, mas, se for menos, melhor ainda! Uma outra excelente ferramenta de análise que pode utilizar para otimizar as suas páginas é o Screaming Frog, uma ferramenta gratuita que faz auditorias de SEO a qualquer página que esteja hospedada online com um URL associado.

 

2. Escolha as melhores palavras-chave para o seu negócio

As palavras-chave são uma parte fulcral do SEO. São elas que determinam as probabilidades de as suas webpages surgirem para a pessoa certa, na hora certa.

Para determinar quais as melhores palavras-chave para o seu negócio, deve fazer uma lista das palavras para as quais pretende aparecer.

Pode recorrer a ferramentas como o Google Trends, excelente para comparar dois termos semelhantes (como casa/moradia, T0/Estúdio ou carro/automóvel, por exemplo) e esclarecer sobre a melhor opção a escolher, em caso de indecisão. Além disso, a ferramenta mostra, também, as tendências de pesquisa do momento, o que pode ser muito interessante para descobrir novos nichos de mercado.

Outra ferramenta que que aconselho é a Ubersuggest, referida anteriormente. Ela permite saber as palavras relacionadas com uma determinada página web, o volume de pesquisas de cada palavra-chave, o seu nível de concorrência* e quando é o seu pico de pesquisas (muito interessante, porque nos informa sobre quando é que temos de ter tudo perfeito para o aproveitarmos).

*Em SEO, os concorrentes são as páginas que aparecem nos lugares cimeiros para uma dada palavra-chave (o que pode não corresponder aos concorrentes standard).

 

3. Opte por Long-Tail Keywords

As Long-Tail Keywords ou palavras-chave de cauda longa são mais específicas e têm maior probabilidade de conversão, custos mais baixos e risco menor (ex.: Moradia T3 com piscina Lagos VS Moradia Lagos).

Palavras mais genéricas podem, com o tempo, trazer-nos mais tráfego, contudo, esse não se refletirá, provavelmente, em mais conversões.

Mais uma vez, recomendo a Ubersuggest para este processo.

 

4. Assegure uma boa densidade de palavras-chave

A densidade de palavras-chave ou keyword density (%) corresponde ao número de vezes que a nossa palavra-chave aparece escrita, relativamente ao número total de palavras da página.

Para que o algoritmo da Google considere a sua página relevante para uma determinada palavra-chave, esta tem de surgir um número de vezes considerável na mesma, para assegurar a relevância do seu conteúdo. Segundo a minha experiência, a densidade de palavras-chave deve rondar os 2.5%.

Neste sentido, uma outra ferramenta, também gratuita, a que pode recorrer é a Keywords Everywhere. Basta instalar a extensão e, depois, clicar no lado direito do rato e em Keywords Everywhere > “Analyse this page”.

 

5. Otimize as imagens

Por último, mas não menos importante, não se esqueça de otimizar as imagens! Este é um passo importantíssimo e ignorado por muitos. O Google Imagens é um motor de pesquisa igualmente potente e merece uma atenção equiparada ao Google Search.

Muito resumidamente, para otimizar as suas imagens, deve preencher o título, o ALT (texto que surge por cima da imagem quando deixamos o cursor sobre a mesma) e nome do ficheiro (ou seja, o nome com o qual o ficheiro foi guardado no seu computador).

NOTA: Este último deve ser descritivo, porém, não muito extenso, e deve incluir as principais keywords para as quais deseja posicionar-se, tudo separado por hífens. Já o alt só é necessário colocar nas imagens que nos sejam relevantes em termos de SEO.

 

Acredito piamente que, com estas dicas, irá melhorar a sua presença digital e alavancar as suas vendas no mercado imobiliário. Espero ter ajudado!

 

 

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