29 de Julho, 2026

A mediação imobiliária não precisa apenas de uma nova lei. Precisa de uma nova consciência.

Massimo Forte

Há momentos em que uma intervenção institucional deixa de ser apenas protocolar e passa a representar uma visão para uma profissão.

Foi essa a leitura que fiz da intervenção de Patrícia Barão na abertura da Convenção APEMIP, instituição que atualmente preside.

A sua intervenção não se limitou a apresentar uma lista de reivindicações, procurou antes a solução no recentrar da conversa naquilo que verdadeiramente define a mediação imobiliária: pessoas, confiança e responsabilidade.

Vivemos uma época curiosa.

Nunca tivemos tanta informação disponível, plataformas, dados, ferramentas e acesso a tecnologia, mas paradoxalmente, nunca foi tão difícil perceber como conquistar o fator chave de sucesso para o setor, a confiança.

Talvez por isso uma das mensagens mais fortes tenha sido precisamente esta: a mediação imobiliária continua a ser, acima de tudo, uma profissão de relações.

Uma relação de confiança não nasce de um CRM. Não nasce de um portal imobiliário. Não nasce do uso da inteligência artificial sem rumo.

Nasce da competência com que ouvimos, da forma como comunicamos, da consistência das nossas ações e da segurança que conseguimos transmitir quando alguém nos entrega uma das decisões e investimentos mais importantes da sua vida.

Foi igualmente interessante ouvir uma ideia que defendo há muitos anos.

  • “Conhecer o mercado já não é um fator diferenciador, é apenas o requisito mínimo para exercer a profissão.”

Hoje, um verdadeiro agente imobiliário precisa de muito mais. Precisa de compreender pessoas, interpretar necessidades, identificar pontos de fricção, saber dominar tecnologia, comunicar valor, negociar interesses diferentes, gerir expectativas e criar experiências que façam o cliente recomendar e voltar.

A confiança e relevância de valor aportado, são o verdadeiro desafio da mediação moderna.

Outro momento particularmente relevante, foi a referência à nova Lei da Mediação Imobiliária.

Há muito que o setor aguardava uma atualização legislativa que acompanhasse a evolução da profissão.

A introdução de requisitos formais de formação e avaliação para o acesso à atividade poderá representar um passo importante para reforçar a credibilidade do setor.

Mas importa dizer algo que considero ainda mais importante. Uma profissão não se dignifica apenas porque a lei o determina. Dignifica-se porque os profissionais decidem elevar diariamente o nível daquilo que representam e fazem.

A lei pode definir mínimos. A excelência será sempre uma escolha.

Ao longo dos últimos anos tenho defendido que a mediação imobiliária portuguesa vive uma oportunidade histórica:

  • Nunca o mercado exigiu tanto profissionalismo;
  • Nunca os consumidores estiveram tão informados;
  • Nunca a concorrência foi tão intensa.

E nunca foi tão evidente a diferença entre quem apenas vende imóveis, e quem representa verdadeiramente os interesses dos seus clientes (sem se centrar apenas nos seus).

Foi precisamente por isso que gostei de ouvir, um apelo à união da profissionalização do setor.

Durante um dia em que as marcas ficaram em segundo plano, enalteceu-se a mediação como um todo para que TODOS fiquem sempre em primeiro lugar. Porque a verdade é que, antes de pertencermos a uma marca, a uma rede ou a uma empresa, pertencemos a uma profissão e quando uma profissão cresce, todos crescemos com ela.

Acredito profundamente que o futuro da mediação imobiliária não será decidido apenas pelas associações, pelos reguladores ou pelos legisladores, será decidido por cada um dos seus intervenientes diariamente na forma como comunica, interage e disponibiliza o seu serviço:

  • Na promoção da sua atividade;
  • Em reuniões com clientes;
  • Em visitas;
  • Em negociações;
  • Na forma como respondem a um problema;
  • Na ética com que recusam um atalho;
  • Na transparência com que aconselham, mesmo quando isso significa perder um negócio, mas ganhando um cliente para a vida.

É aqui que se constrói confiança e a reputação coletiva de uma profissão.

A Convenção APEMIP deixou uma mensagem clara.

O maior património da mediação imobiliária nunca serão os imóveis, serão sempre as pessoas que escolhem confiar em nós.

Este futuro já começou.

E agora, cabe a cada um de nós decidir se queremos apenas acompanhar esta mudança… ou liderá-la.

Parabéns à Patrícia Barão, recém-eleita presidente da APEMIP que nos trouxe uma nova liderança, uma nova visão e uma nova inspiração para um setor em transformação.

Artigo original de Massimo Forte

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Massimo Forte
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