22 de Julho, 2026

“Comprar em planta”: um clássico do Mercado Imobiliário Português…

Massimo Forte
planta de construção

Num mercado onde a escassez de oferta continua a marcar o setor imobiliário português, sobretudo nas zonas mais procuradas do país, os imóveis novos comercializados ainda em fase de planta ou construção, tornaram-se uma realidade necessária e cada vez mais presente. 

Lisboa, Cascais, Oeiras, Porto ou Algarve continuam a concentrar grande parte desta dinâmica. 

Segundo dados da Confidencial Imobiliário, cerca de 51% das novas habitações lançadas no mercado português, foram vendidas ainda antes da sua conclusão. Em Lisboa, existem centenas de empreendimentos ativos em comercialização e milhares de apartamentos em fase de construção disponíveis no mercado.

Mas mais interessante do que os números, é perceber o que esta tendência diz sobre a evolução do próprio mercado.

Porque hoje, em muitos casos, já não se vende primeiro a casa, vende-se tudo o que está à volta dela, e neste caso a promessa de futuro. 

O comprador atual já não procura apenas metros quadrados. Procura para além da localização, o estilo de vida, a arquitetura, a eficiência energética, a exclusividade, o potencial de valorização e a experiência atual e futura.

Essa visão alterou profundamente a forma como os empreendimentos são lançados e comercializados.

Em muitos projetos uma parte significativa das unidades é absorvida muito antes da conclusão da estrutura dando lugar a vendas, antes mesmo do lançamento público.

O posicionamento, o marketing e a narrativa do empreendimento passaram a ter quase tanta importância, como a própria construção, porque o cliente tem que sentir como vai viver e qual o potencial do bem futuro em que está a investir.

Na prática, o mercado português aproximou-se de modelos mais maduros e internacionalizados, onde o cliente compra antecipadamente porque acredita no conceito, no promotor, na localização e no potencial futuro do ativo. 

Parece um conceito inovador para Portugal, mas é um clássico dos anos 90.

E porque é que se regressa aos clássicos? 

Porque resultaram e hoje há razões objetivas para resultar ainda melhor:

  • escassez de produto novo concluído;
  • dificuldade crescente de acesso às melhores e mais centrais localizações;
  • expectativa de valorização acentuada do produto durante a obra;
  • necessidade dos promotores assegurarem pré-vendas para suportar o financiamento e a velocidade da operação.

É um clássico com uma nova abordagem para um cliente que também mudou.

Os T1 e T2 continuam a liderar a procura em muitos mercados urbanos, mas cresce cada vez mais a procura por T3 premium, branded residences e condomínios com serviços e amenities integradas. 

Novas formas de viver, novas necessidades.

É por isso que hoje, comprar casa deixou de ser apenas uma decisão funcional e passou a ser uma decisão emocional, aspiracional e estratégica.

Mas existe um lado do mercado que não pode ser ignorado.

Comprar um imóvel em planta significa comprar um bem futuro. E isso exige cautela.

Apesar das oportunidades que este tipo de aquisição pode representar, nomeadamente preços mais competitivos numa fase inicial e pagamentos faseados ao longo da construção, existem riscos que o comprador deve compreender.

A credibilidade do promotor, a existência de licença de construção aprovada, a análise cuidada do contrato-promessa e as cláusulas relacionadas com atrasos ou incumprimentos, entre outros, tornam-se absolutamente essenciais para quem está a comprar algo que ainda não existe fisicamente, para alguém que está a comprar confiança.

E talvez seja precisamente essa a grande transformação do mercado imobiliário atual.

Hoje, muitos empreendimentos não são vendidos apenas pela qualidade da construção, são vendidos pela capacidade de transmitir credibilidade, visão, posicionamento e segurança.

Num mercado atual onde se vende futuro antes da obra estar concluída, confiança deixou de ser apenas um detalhe importante, passou a fazer parte integrante do próprio produto imobiliário.

Partilhe a sua opinião


Massimo Forte
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.