“Comprar em planta”: um clássico do Mercado Imobiliário Português…
Num mercado onde a escassez de oferta continua a marcar o setor imobiliário português, sobretudo nas zonas mais procuradas do país, os imóveis novos comercializados ainda em fase de planta ou construção, tornaram-se uma realidade necessária e cada vez mais presente.
Lisboa, Cascais, Oeiras, Porto ou Algarve continuam a concentrar grande parte desta dinâmica.
Segundo dados da Confidencial Imobiliário, cerca de 51% das novas habitações lançadas no mercado português, foram vendidas ainda antes da sua conclusão. Em Lisboa, existem centenas de empreendimentos ativos em comercialização e milhares de apartamentos em fase de construção disponíveis no mercado.
Mas mais interessante do que os números, é perceber o que esta tendência diz sobre a evolução do próprio mercado.
Porque hoje, em muitos casos, já não se vende primeiro a casa, vende-se tudo o que está à volta dela, e neste caso a promessa de futuro.
O comprador atual já não procura apenas metros quadrados. Procura para além da localização, o estilo de vida, a arquitetura, a eficiência energética, a exclusividade, o potencial de valorização e a experiência atual e futura.
Essa visão alterou profundamente a forma como os empreendimentos são lançados e comercializados.
Em muitos projetos uma parte significativa das unidades é absorvida muito antes da conclusão da estrutura dando lugar a vendas, antes mesmo do lançamento público.
O posicionamento, o marketing e a narrativa do empreendimento passaram a ter quase tanta importância, como a própria construção, porque o cliente tem que sentir como vai viver e qual o potencial do bem futuro em que está a investir.
Na prática, o mercado português aproximou-se de modelos mais maduros e internacionalizados, onde o cliente compra antecipadamente porque acredita no conceito, no promotor, na localização e no potencial futuro do ativo.
Parece um conceito inovador para Portugal, mas é um clássico dos anos 90.
E porque é que se regressa aos clássicos?
Porque resultaram e hoje há razões objetivas para resultar ainda melhor:
- escassez de produto novo concluído;
- dificuldade crescente de acesso às melhores e mais centrais localizações;
- expectativa de valorização acentuada do produto durante a obra;
- necessidade dos promotores assegurarem pré-vendas para suportar o financiamento e a velocidade da operação.
É um clássico com uma nova abordagem para um cliente que também mudou.
Os T1 e T2 continuam a liderar a procura em muitos mercados urbanos, mas cresce cada vez mais a procura por T3 premium, branded residences e condomínios com serviços e amenities integradas.
Novas formas de viver, novas necessidades.
É por isso que hoje, comprar casa deixou de ser apenas uma decisão funcional e passou a ser uma decisão emocional, aspiracional e estratégica.
Mas existe um lado do mercado que não pode ser ignorado.
Comprar um imóvel em planta significa comprar um bem futuro. E isso exige cautela.
Apesar das oportunidades que este tipo de aquisição pode representar, nomeadamente preços mais competitivos numa fase inicial e pagamentos faseados ao longo da construção, existem riscos que o comprador deve compreender.
A credibilidade do promotor, a existência de licença de construção aprovada, a análise cuidada do contrato-promessa e as cláusulas relacionadas com atrasos ou incumprimentos, entre outros, tornam-se absolutamente essenciais para quem está a comprar algo que ainda não existe fisicamente, para alguém que está a comprar confiança.
E talvez seja precisamente essa a grande transformação do mercado imobiliário atual.
Hoje, muitos empreendimentos não são vendidos apenas pela qualidade da construção, são vendidos pela capacidade de transmitir credibilidade, visão, posicionamento e segurança.
Num mercado atual onde se vende futuro antes da obra estar concluída, confiança deixou de ser apenas um detalhe importante, passou a fazer parte integrante do próprio produto imobiliário.