CONSCIÊNCIA DIGITAL

É inevitável falar do momento em que vivo, de repente ao ficar em casa durante um longo período, tomei consciência da importância da digitalização da minha marca e da necessidade de a comunicar cada vez mais para a manter acessível e relevante para o meu público, através do canal online faço-a viajar cada vez mais longe, mesmo estando fisicamente confinado.

 

O que era entendido como um segundo canal e por vezes percepcionado como uma tendência que tinha o seu tempo para se desenvolver, tornou-se de repente uma única realidade e sobretudo, uma autêntica necessidade.

 

Para muitos a mudança não só foi grande, como instantânea e sem qualquer experiência de formação, uma série pessoas e profissionais não habituados ao online viram-se obrigados a invadir de forma constante e pouco estruturada plataformas de email marketing e de vídeo partilhando iniciativas que se viam hora a hora nas redes sociais para sentir que continuavam a comunicar com os seus clientes, uma atitude que remete para reação e ação, o que é positivo, mas a que se deve acrescentar estratégia.

 

A oferta e consumo de conteúdos online subiu naturalmente de forma vertiginosa, e começamos a ter de agendar no meio das rotinas de trabalho uma série de lives, webinars, posts, vídeos, artigos, formações e muitos outros conteúdos formativos, informativos e de opinião.

 

Importa referir que na Mediação Imobiliária, a construção de uma comunicação de venda indireta utilizando o Marketing de Conteúdo como ferramenta, é talvez a melhor estratégia para comunicar não apenas neste momento e não apenas através do canal online. Vejamos, o mercado imobiliário viveu nos últimos anos momentos de grande crescimento a todos os níveis: transações; preços; número de agências e número de agentes, fazendo-nos esquecer que este mercado é de facto muito mais relacional do que transacional e possivelmente, devido ao foco nos números, a comunicação no canal online resumia-se a uma comunicação de produto e não a uma comunicação de disponibilidade e utilidade que demonstra-se como pode uma pessoa ou uma marca ajudar o seu cliente, estar com o seu cliente … neste momento, é a comunicação imprescindível para manter a notoriedade e sobrevivência de qualquer marca.

 

A ética é outro ponto muito relevante e cada vez mais exposto ao julgamento de uma comunidade alargada. Se formos ao dicionário podemos chegar à conclusão de que a definição de ética é resumida como um conjunto de bons costumes assumidos por um determinado grupo de pessoas que define o que são bons ou maus valores no relacionamento humano. Se no offline isto é claro, no online, devido ao facilitismo e à inocente e aparente possibilidade de não ser “visto”, a ética dá lugar a muitas e diferentes interpretações de acordo com os valores de cada um.

 

Também importa referir que a ética é diferente da lei, a ética refere o que não se deve fazer, a lei é mais impositiva definindo o que é proibido fazer. A ética serve muitas vezes para dar origem à lei, veja-se o caso dos códigos de ética de cada atividade, inclusive da Mediação Imobiliária.

 

E depois desta reflexão, tendo em conta os valores do que realmente importa para cada marca, o que se deve e o que não se deve fazer no digital? Não sendo eu expert na área do digital e definindo-me apenas como um utilizador assíduo, diria que a utilização abusiva do bom senso será uma ótima estratégia a seguir, contudo e mais uma vez utilizando o bom senso que pode ser subjetivo, existem alguns comportamentos que me parecem bastante lógicos para estar e interagir em comunidade no off e no online.

 

Respeito pelo outro, seja ele cliente, parceiro ou concorrente. O respeito é um valor ético fundamental e básico e deve estar na base da comunicação:

  • Não critique de forma abusiva e destrutiva em comentários abertos. Se quiser dar a sua opinião mais crítica a uma pessoa faça-o de forma privada;
  • Não ofenda, comportamento gera comportamento;
  • Se recebeu um comentário menos positivo de alguém, não reaja, tente compreender o porquê e responda de forma respeitosa e simpática, vai sempre haver pontos de vista diferentes do seu e isso enriquece o interesse e diálogo;
  • Evite as discussões de causas perdidas, aprenda apenas a dar a opinião e saber ouvir a dos outros, todos queremos ter o dom da verdade;
  • Se o comentário for escrito com adjetivos ofensivos, estará no seu direito de apagá-lo ou até denunciá-lo, as redes sociais estão preparadas para isso;
  • A hipocrisia e a ironia quando mal utilizadas podem ferir suscetibilidades, deve ter muita competência para as conseguir colocar em prática, por isso evite.

 

Há uma tentação clara de aproveitamento de conteúdos e de bases de dados entre concorrentes, poderá fazê-lo se tornar um concorrente num parceiro, ou sempre com o seu consentimento:

  • Quando utilizar conteúdos ou frases, verifique primeiro de quem são e se não forem suas, ficar-lhe-á muito bem colocar o nome do autor. Há uma ótima ferramenta que faz isso nas redes sociais por si, chama-se repost;
  • Ficar-lhe-á sempre bem pedir se pode ou não partilhar algo, seja em redes sociais ou em grupos de whatapp a que pertença;
  • Não use #hastags de outras pessoas para proveito próprio sem o consentimento do seu autor;
  • Não identifique pessoas, a não ser seja positivo e proveitoso para elas com elogios, citações, direitos de autor.

 

Uma boa marca não se vê apenas pelos resultados e objetivos alcançados, a forma como chegou à meta é o que a define hoje e no futuro.

 

Artigo de Massimo Forte publicado na revista especializada DO it

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