ENSINAR MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA

 

Quando o Paulo Fernandes me pediu para escrever sobre formação na Mediação Imobiliária para a sua nova revista, senti uma enorme responsabilidade.

Não poderia abordar este texto falando apenas sobre formação, mas sim sobre como a formação tem de passar experiência, como a formação tem de promover a prática e como a formação tem de se transformar numa verdadeira experiência de aprendizagem sabendo como ensinar mediação imobiliária a diferentes pessoas que têm o mesmo propósito de atuar no mercado imobiliário.

Quando dou aulas falo para um público que normalmente pretende informação relevante e específica sobre uma determinada área que, potencialmente, fará parte da carreira que pretende seguir, ou para a qual procura especialização. A cadeira de Mediação Imobiliária não é a cadeira principal dos cursos superiores e pós-graduação que dou e por isso, as pessoas que não pretendem seguir a carreira de mediador imobiliário, assumem que não irão aplicar estes conhecimentos no seu dia-a-dia.

 

Mas vamos por partes…

Na ESAI – Escola Superior de Actividades Imobiliárias, onde desde 2009 leciono a cadeira anual de Mediação Imobiliária com o objetivo explicar e demonstrar a aplicabilidade de toda a atividade de Mediação Imobiliária, tenho em sala muitos mediadores e agentes que procuram especialização através de um curso superior que possa ampliar os seus conhecimentos sobre o vasto mercado imobiliário que vai muito mais para além da mediação, no entanto, e devido à especificidade do público, a minha cadeira assume uma relevância central a par das várias cadeiras que perfazem o curso superior de Gestão Imobiliária e que contribuem para o ganho de consciência da abrangência e importância da formação contínua enquanto futuros profissionais do mercado imobiliário.

Por outro lado, no INDEG-ISCTE e desde há dois anos, dou exatamente a mesma cadeira mas para um público diferente, mais vasto, de diferentes orientações profissionais, mas que ao mesmo tempo se torna muito específico por se tratar de uma pós-graduação dirigida a atuais ou potenciais investidores imobiliários que pretendem adquirir mais formação, ou seja, mais conhecimento prático sobre o mercado imobiliário na ótica do investidor onde todos de uma forma direta ou indireta, pretendem estar ou atuar.

Em ambos os casos quando dou a minha cadeira, deparo-me quase sempre e com algum espanto com muitos alunos surpreendidos com a complexidade positiva da atividade de mediação imobiliária. Claramente percebem (uns no princípio, outros durante a alguns apenas no final) que o negócio imobiliário e a mediação imobiliária, no específico, são atividades onde a relação tem um papel fundamental e muitos começam a entender a dinâmica empreendedora por trás dos dois principais players da atividade de mediação imobiliária: o Mediador (Broker) e o Agente. Também descobrem que há diferenças entre um Consultor e um Agente Imobiliário e percebem como o mito negativo dos contratos em regime de exclusividade não faz sentido. Por fim percebem que a legislação e principalmente a falta de credenciação, são ainda hoje um problema que infelizmente insiste em persistir.

Independentemente da importância ou não da minha cadeira para cada público, a cada ano que passa fico com a sensação de dever cumprido por ensinar e transmitir o intuito da área a mais uma meia centena de pessoas (talvez um pouco mais) que finalmente percebem o que é isto da mediação imobiliária, e como se trabalha com as pessoas desta área estando dentro ou fora dela.

 

O espanto positivo e bem recebido das pessoas que saem de ambos os cursos faz-me crer que para além de terem mais conhecimento e ferramentas para lidar com a atividade, terão também e acima de tudo, mais sensibilidade e respeito pela mediação imobiliária que no fundo, sempre foi considerada o parente pobre do mercado imobiliário:

 

  • “Agora percebo a utilidade da Mediação Imobiliária no mercado”

 

  • “Não fazia ideia … eu diria que o nome da cadeira deveria ser empreendedorismo, algo que faz falta em quase todos os cursos superiores deste país”

 

  • “Realmente aprendi que este negócio é de pessoas para pessoas”

 

Artigo publicado na revista IMOBILIÁRIO EM DIRETO | MAR 2021