“O verão é a altura certa para vender a minha casa?” by Massimo Forte in VISÃO online bolsa de especialistas

A venda, compra ou arrendamento de casa estão normalmente relacionadas com necessidades que não têm propriamente uma época específica do ano para acontecer.

Pela lógica, a resposta seria sim. Normalmente as estações com mais sol como a primavera e o verão são consideradas mais populares e propícias para colocar o imóvel no mercado porque, por exemplo, há mais disponibilidade para as visitas e também porque, ver uma casa com sol ajuda à decisão,  contudo, a lógica não se espelha nas estatísticas que nos indicam que na realidade, pode-se vender uma casa em qualquer estação!

A tendência vai depender sempre de fatores como o nível da procura, ou por exemplo, da localização do imóvel, não há uma resposta única para todos os imóveis e é por isso que a pessoa mais indicada para o guiar sobre a altura ideal para vender o seu imóvel, é sem dúvida o agente imobiliário profissional que seja especialista na sua zona ou no seu tipo de imóvel. Um agente imobiliário profissional tem a obrigação de conhecer as características do seu mercado sabendo quais os ajustes necessários a aplicar ao plano de marketing em função do momento.

Vender um imóvel no verão tem vantagens e desvantagens, tal como em qualquer outra estação do ano, no entanto, de facto, o mês de agosto é tradicionalmente o mês mais parado do ano que é esperado ansiosamente por uns e rejeitado por outros que fecham os olhos na expectativa de que passe o mais rapidamente possível.

Apesar desta tendência, acredito que a sazonalidade no mercado imobiliário se tem vindo a perder, principalmente no mercado residencial. A minha convicção baseia-se no facto de que a venda, compra ou arrendamento de casa estão normalmente relacionadas com necessidades que não têm propriamente uma época específica do ano para acontecer, afinal, mudamos:

  • Quando saímos de casa dos pais
  • Quando decidimos morar com alguém ou deixar de morar com uma pessoa
  • Quando nos casamos ou divorciamos
  • Quando a família aumenta pela primeira ou aumenta novamente
  • Quando mudamos de emprego que possa levar à deslocalização
  • Quando precisamos diminuir a nossa renda, ou quando podemos aumentar o nosso orçamento
  • Quando a vida prega uma partida, ou segue o seu curso natural e vamos desta para melhor (espero), deixando a alguém o ónus de venda da nossa casa
  • Ou quando simplesmente nos apetece…

Todos estes aspetos e outros que eventualmente não tenha referido, não têm nada a ver com as estações do ano ou mesmo com os meses do ano, tem a ver com pessoas e com as suas dores e necessidades.

É claro que quando falamos de pessoas, falamos também em características como por exemplo o foco, e para 70 a 80% dos portugueses, o mês de agosto significa apenas uma coisa, férias. No mês de agosto e mesmo com uma situação única de pandemia, as pessoas vão continuar a sair de casa, a casar, a juntarem-se, a ter filhos, a mudar de emprego, a ter mais filhos, a optar pelo divórcio ou separação e vão, pela lei natural da vida, continuar a partir, mesmo que lá fora estejam 40º à sombra.

No período de inverno e por existir alguma pressão nas empresas imobiliárias e mesmo nos bancos para o atingir de objetivos, faz com que haja mais disponibilidade para compra e venda causada pela dinamização no despertar de necessidades e criação de oportunidades como por exemplo, campanhas dedicadas.

Outro aspeto a considerar é sem dúvida a evolução tecnológica que no setor imobiliário disparou inevitavelmente com a pressão da pandemia que obrigou que a tecnologia já disponível há muito, se implementasse em grande escala, como por exemplo, as visitas virtuais ou a realidade aumentada que durante o confinamento possibilitaram o desenvolvimento do hábito de visita virtual a um imóvel a partir de qualquer dispositivo o que afunilou e simplificou a amplitude de escolha e o processo de decisão que mesmo assim, ainda acaba a maior parte das vezes com a necessidade de visita presencial ao imóvel elegido para confirmar a escolha.

Com a clara mudança de hábitos, realidades, necessidades e paradigmas, eu diria que a mudança de casa hoje tem cada vez menos uma estação certa para acontecer, o mais importante é sim simplificar e encurtar o mais possível um processo que é na realidade complexo e longo e para isso, nada melhor que procurar a ajuda de um especialista!

Boas férias a todos os leitores!

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