8 de Outubro, 2026

Compramos casas mais caras do que nunca. Sabemos como vão resistir ao inverno que aí vem?

Massimo Forte
Compramos casas mais caras do que nunca. Sabemos como vão resistir ao inverno que aí vem?

Dois profissionais do imobiliário querem democratizar o acesso à informação técnica antes de comprar casa

João Luís Carvalho, arquiteto, e João Cunha, engenheiro civil, criaram a BLEPO depois de 12 anos a trabalhar dentro do setor e de perceberem que uma das decisões financeiras mais importantes da vida continua a ser tomada, muitas vezes, sem informação técnica independente. 

Comprar uma casa é uma das decisões financeiras mais importantes que fazemos. E o mercado imobiliário português continua a viver um dos momentos mais quentes dos últimos anos. Compra-se mais, compra-se mais caro, compra-se muitas vezes e mais depressa do que o tempo que seria preciso para perceber verdadeiramente o que se está a adquirir. 

Ao mesmo tempo, o país vive episódios meteorológicos extremos com cheias, chuva forte e trovoada. Episódios estes que são um sinal de um padrão climático cada vez menos previsível.

A pergunta que fica por responder é simples e, ao mesmo tempo, incómoda: Com os fatores meteorológicos extremos que tendem a aumentar o que está reservado para os meses em que a chuva forte e as tempestades são esperadas? E, mais importante para quem está a comprar casa agora: quantas dessas casas, incluídas no atual boom de transações, foram sequer avaliadas quanto ao risco de exposição a fenómenos climáticos antes de mudarem de dono?

Foram estas questões e a realidade vivida no setor imobiliário, que levaram João Luís Carvalho, arquiteto, e João Cunha, engenheiro civil, a criar a BLEPO, uma empresa portuguesa que quer democratizar o acesso ao diagnóstico técnico de imóveis e colocar, pela primeira vez para muitos compradores, um arquiteto ou engenheiro independente do seu lado da decisão.

Os dois fundadores trabalharam juntos durante 12 anos na Melom, conhecendo o setor imobiliário por dentro. A ideia para a BLEPO ganhou forma quando João Luís Carvalho começou também a investir em imóveis e encontrou repetidamente problemas que não eram percetíveis numa visita normal: patologias escondidas, problemas nas partes comuns, obras inesperadas e questões que só surgiam depois de fechado o negócio.

A constatação foi simples: “se até alguém com experiência no setor tinha dificuldade em identificar todos os riscos de um imóvel, o problema seria ainda maior para quem não tem formação técnica”, refere João Carvalho. Daí nasceu a pergunta que deu origem à BLEPO: porque é que não existe uma forma simples de colocar um arquiteto ou engenheiro do lado de quem compra?

| Democratizar aquilo que até agora estava reservado aos profissionais | 

Existem serviços de due diligence imobiliária, mas estão tradicionalmente associados a investidores profissionais, fundos, banca e grandes operações, com uma abordagem altamente técnica.

João Luís Carvalho e João Cunha quiseram pegar nessa lógica e torná-la acessível ao consumidor comum.

A BLEPO transforma a informação técnica numa camada simples, padronizada e compreensível, com diferentes níveis de diagnóstico. O objetivo não é transformar o comprador num especialista em engenharia, mas dar-lhe informação suficiente para perceber o que está a comprar e quais os riscos envolvidos.

| A pergunta que pode mudar a forma como compramos casa | 

Para os fundadores, o problema deixou de ser apenas “há uma infiltração?” ou “há uma fissura?”. Num contexto de alterações climáticas e de fenómenos meteorológicos cada vez mais extremos, é também necessário perceber o risco associado ao edifício e à localização.

As tempestades que atingiram Portugal no início de 2026 tornaram essa questão ainda mais urgente. Para a BLEPO, a pergunta que deve passar a fazer parte de qualquer decisão imobiliária é:

Qual é o risco desta casa?

Risco ambiental. Risco edifício. Risco da fração. E, cada vez mais, risco associado ao local onde a casa está.

A ambição dos fundadores é que uma inspeção técnica antes de comprar uma casa se torne tão natural como pedir uma avaliação bancária e que a informação chegue ao comprador “antes da escritura, e não depois da primeira infiltração, da primeira obra inesperada ou da próxima tempestade”, alerta João Cunha.

| Tecnologia para tornar o acesso massivo | 

A BLEPO disponibiliza atualmente cinco tipos de diagnóstico, com diferentes níveis de profundidade. Na fase beta, o produto de referência – a Inspeção Técnica- tem um custo de 600 euros, cerca de 0,25% do valor médio de uma transação imobiliária, permitindo identificar problemas que podem representar milhares ou dezenas de milhares de euros em custos futuros.

A tecnologia e a Inteligência Artificial permitem aos fundadores ambicionar levar este modelo a todo o país. A BLEPO desenvolveu uma plataforma que estrutura e padroniza o trabalho de inspeção através de um workflow, permitindo replicar a metodologia através de uma rede de arquitetos e engenheiros independentes, tornando o serviço mais acessível e eficiente.

A empresa opera atualmente na Grande Lisboa e tem capacidade para cerca de 500 inspeções por mês. O plano prevê expansão para o Porto, cobertura nacional em 24 meses e entrada em Espanha no início do terceiro ano, com uma meta de 5 milhões de euros de faturação em três anos.

| Mais do que uma empresa, um novo comportamento | 

João Luís Carvalho e João Cunha não querem apenas criar um novo serviço imobiliário. Querem “mudar a relação de poder e de informação numa das maiores decisões financeiras das famílias”, salienta João Carvalho.

A BLEPO não vende casas, não faz mediação e não decide pelo comprador. Observa, analisa e documenta o imóvel para que a decisão seja tomada com mais informação. Porque, para os seus fundadores, “uma casa bonita não é necessariamente uma casa segura. E olhar não chega. É preciso ver melhor para decidir melhor”, resume João Cunha.

| SOBRE A BLEPO |

A BLEPO nasceu da vontade de João Luís Carvalho e João Cunha – um arquiteto e um engenheiro civil com 12 anos de trabalho conjunto – de tornar as inspeções e diagnósticos imobiliários acessíveis a qualquer comprador ou senhorio, e não apenas a investidores profissionais.

A empresa opera atualmente na Grande Lisboa, através de uma rede de arquitetos e engenheiros independentes afiliados, e tem capacidade de realizar cerca de 500 inspeções por mês. Disponibiliza cinco tipos de diagnóstico e pretende expandir a operação para o Porto, alcançar cobertura nacional num horizonte de 24 meses e entrar numa primeira cidade espanhola no início do terceiro ano.

“Antes de decidir, ver melhor” é a ideia que está na origem do nome BLEPO, que em grego significa ver melhor e que resume a missão da empresa: tornar a informação técnica sobre os imóveis mais simples, acessível e útil para quem compra, vende ou arrenda. 

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