22 de Abril, 2026

A Informação está doente, também no mercado imobiliário

Massimo Forte

No TEDx Porto, uma das mensagens mais fortes não foi sobre tecnologia, foi sobre a responsabilidade que a mesma impõem atualmente.

A ideia central é simples, mas inquietante:
O problema não é a tecnologia, é o modelo por trás dela.

Durante anos, acreditámos que as plataformas digitais eram apenas ferramentas neutras. Mas a realidade mostra-nos outra coisa: são sistemas desenhados para captar atenção, prolongar tempo de utilização e maximizar lucro delas e não essencialmente o nosso, seja em que negócio isso for.

E quando o objetivo é esse, a verdade deixa de ser prioridade, passa a ser a emoção.

O conteúdo mais visto não é o mais correto, é cada vez mais o mais impactante. Evidentemente com consequências reais que já estão a acontecer.

Hoje, vivemos num ecossistema de informação que funciona como um problema de saúde pública:

  • desinformação médica que leva pessoas a rejeitar tratamentos 
  • conteúdos que promovem ansiedade, isolamento e até autolesão 
  • narrativas que alimentam medo, divisão e radicalização  

Não é teoria, é estrutural e é a realidade atual.

E tudo começa no mesmo ponto: incentivos e propósitos errados.

Os algoritmos não procuram verdade, procuram apenas engagement.

E para isso, amplificam:

  • o choque 
  • o medo 
  • a emoção  

Porque isso prende a atenção, e prende mais tempo.

Agora, a pergunta que interessa:
O que é que isto tem a ver com o imobiliário?

Infelizmente o mercado imobiliário não é exceção a esta situação.

O mercado imobiliário vive de confiança e a confiança constrói-se com informação.

Contudo se a informação está contaminada, ou seja deturpada ou mesmo errada, as decisões que com ela se tomam também estarão.

Os Clientes chegam hoje mais informados, até porque têm acesso ao Big data, mas nem sempre estão mais esclarecidos.

  • expectativas irreais 
  • perceções distorcidas de valor 
  • decisões influenciadas por conteúdos superficiais ou manipulados  

O Agente Imobiliário profissional deixou de competir apenas com outros profissionais reais, passou a competir com o algoritmo. E o algoritmo não joga limpo, porque tem um propósito diferente, joga apenas para obter e prender atenção, ele foi criado para ajudar a decidir e muito menos para ajudar a decidir da melhor forma para a pessoa, sendo a livre escolha algo cada vez mais manipulado e posta em causa.

É aqui que o agente imobiliário, pode e deve fazer a diferença, como?

Mais do que vender, passa a filtrar o verdadeiro do falso.
Mais do que mostrar, passa a explicar quais as melhores opções para cada cliente e situação.
Mais do que responder, passa a contextualizar sempre em função do seu cliente.

Num mundo onde a informação pode ser manipulada, a clareza passa a ser o factor  diferencial.

A proposta apresentada na palestra da Melissa Fleming (Secretária-Geral das ONU para a Comunicação Global) foi clara:

Tratar a informação como tratamos a saúde pública.

  • prevenir – melhorar o desenho dos sistemas; 
  • proteger – formar e educar para melhorar a literacia digital; 
  • intervir – encaminhar os utilizadores para fontes credíveis e certificadas.  

No imobiliário, isto traduz-se numa responsabilidade maior:

  • criar conteúdo que informa de verdade; 
  • ajudar clientes a interpretar o que veem; 
  • ser fonte de confiança num ambiente de ruído.  

Porque no meio de tanta informação, quem consegue trazer clareza lidera de forma autêntica e verdadeira.

O futuro não vai ser decidido por quem fala mais, vai ser decidido por quem ajuda melhor a compreender.

Num mercado onde tudo pode ser amplificado, a confiança volta a ser o ativo mais raro.

E talvez o mais valioso.

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Massimo Forte
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