Criatividade real num mundo artificial
O processo criativo é, desde sempre, humano.
Em PNL, Programação Neurolinguística, diz-se que o mapa não é o território, ou seja, que a realidade não existe e que cada um de nós tem uma interpretação do mundo exterior diferente, por isso todos somos únicos e diferentes no processo criativo.
Basta pensarmos no nosso inconsciente e nas formas como ele se manifesta e o melhor exemplo, são os nossos sonhos, o momento em que o nosso racional, a mente consciente, adormece e deixa todo o nosso potencial criar e desenvolver tudo o que lhe apetece criar.
Os nossos sonhos, também refletem medos e stress, e por isso podem dar origem aos pesadelos, quem nunca acordou de algo fantástico ou aterrador que parecia real e daí tirou conclusões?
Obviamente quando estamos acordados, torna-se mais difícil viajar pela criatividade, pois a mente consciente está ligada ao politicamente correto, o que pode ser uma atrofia para quem precisa criar.
Por isso, há quem tenha um processo para criar, o processo por exemplo que usei quando comecei a escrever sobre este assunto e a que recorro tantas vezes para resolver problemas ou ver de outra perspetiva.
Recebi a proposta para o escrever, verifiquei se era capaz e se me agradaria escrever sobre o assunto e a seguir, a mente consciente projetou e agendou toda a parte lógica do artigo: tema; caracteres máximos; prazo limite de entrega. Depois deste processo de organização, a mensagem foi direta para o meu inconsciente que armazenou o pedido e de forma automática já treinada pela experiência, foi trabalhando o tema.
Sem pesquisas, pois o tema não necessitava, sem inteligência artificial, pois gosto de manter a minha autenticidade e num determinado dia e hora não agendada, mas com tempo para o fazer, comecei a escrever focado e no meu caso, não costumo parar.
Este é o meu processo e até lá chegar, houve algo muito importante para criatividade, o aborrecimento, a contemplação, o raciocínio, algo que a tecnologia nos tem retirado de forma inconsciente e consequente, não permitindo que viajemos nos nossos pensamentos para criar sem dar conta.
Mas a verdade é que estamos na era da informação dada de bandeja, sem processo, sem sentido crítico e apesar da rapidez que se ganha e que nos beneficia, não temos tempo para parar e pensar, no que estamos a dar em troca:
- A nossa capacidade para pensar e criar.
A criatividade é uma das capacidades mais humanas que nos caracteriza desde que somos crianças, continuando ao longo da nossa vida se a estimularmos com a influência dos diferentes ambientes, experiências, pessoas, mentores que nos acompanham no nosso desenvolvimento e que nos vão condicionando ou despertando para o desenvolvimento criativo.
Por exemplo, eu era bom a desenhar, era para mim uma forma fácil e natural de me expressar. As minhas escolhas de ensino atenuaram esta capacidade, que não era um dom, era uma escolha. Hoje já não desenho tão bem, falta-me a mão e a criatividade que não nasce do nada, nasce da procura de soluções que precisam de tempo, informação, treino e estímulos, ou seja, a criatividade procura-se estando mentalmente disponível para ela, não se pode apenas ficar à espera que aconteça.
Ora é aqui que a inteligência artificial se torna um desafio, pois podemos usar para nos complementar, ou para nos substituir na criatividade associada a algoritmos que nos condicionam e fazem mirrar a nossa capacidade de pensamento crítico e criativo.
Artigo também publicado na Revista Green Media.