27 de Maio, 2026

O futuro das cidades não está no centro. Está na inteligência das periferias.

Massimo Forte
casas em dominó

Inspirado numa entrevista ao Idealista

Durante anos, ensinámos o mercado a olhar para o centro.

Hoje, o futuro obriga-nos a olhar para fora dele.

A descentralização não é uma tendência. É uma consequência.

O teletrabalho acelerou o inevitável: as pessoas começaram a valorizar tempo, qualidade de vida e proximidade. As empresas, naturalmente, seguem esse movimento.

Mas há um problema estrutural que continua a travar este novo paradigma: Portugal não sofre de falta de território. Sofre de falta de infraestruturas.

Falar de habitação fora dos grandes centros sem falar de mobilidade é ignorar metade da equação.

Os imóveis são fixos. As pessoas não.

E quando a mobilidade falha, o valor imobiliário também falha.

Olhemos para Espanha. O desenvolvimento de cidades satélite não aconteceu por acaso. Aconteceu porque houve investimento, planeamento e visão.

Em Portugal, continuamos muitas vezes a crescer pelo teto, sem garantir as fundações.

Ainda assim, há oportunidades – e muitas.

As zonas periféricas não são o problema. São, potencialmente, a solução. Mas apenas para quem sabe ler o mercado para além do óbvio.

Investir fora dos centros urbanos não é um risco. É uma decisão estratégica. Desde que seja sustentada por dados, tendências e, acima de tudo, visão.

O maior erro de um investidor não é escolher a zona errada. É não perceber para onde a zona pode evoluir.

E aqui entra novamente a qualidade de vida.

Trabalhar mais perto de casa não é apenas uma conveniência. É uma transformação cultural. Menos tempo em deslocações, mais tempo para pensar, decidir e viver.

Mas isso não acontece por decreto. Acontece por planeamento.

Falar de cidades do futuro sem resolver mobilidade, transportes e infraestruturas é como vender uma casa sem fundações.

Pode impressionar no início.

Mas não se sustenta.

O futuro não está no centro.

Está na capacidade de construir novas centralidades com inteligência.

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Massimo Forte
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